Ministério Público reclama da morosidade da polícia em Ibaiti. Há vários crimes sem solução. Graves assassinatos continuam sem elucidação. Parecer do Ministério Público denota certo descaso da polícia local.

 

 

 

 

(Ivan Barbosa Mendes – Promotor de Justiça em Ibaiti)

O Assassinato da Jovem Alice, de 18 anos é um caso que ainda não está esclarecido. O bárbaro crime ocorreu no dia 25 de fevereiro/2015. O Pedreiro Aguinaldo foi preso temporariamente, como suspeito no caso, que ainda apresenta várias dúvidas quanto a autoria.

Antes porém – em 08 de fevereiro 2015 – o aposentado José Rodrigues (65 anos) – foi assassinado na região do Bairro Campeiro, com requintes de crueldade. O corpo bastante ferido, inclusive com dilaceração anal, foi encontrado à beira de uma estrada rural. Neste caso a polícia chegou a pedir a prisão de um suspeito, que ante fragilidade de indícios não foi acolhida pela Justiça. O idoso pode ter sido vítima de latrocínio, pois havia recebido sua aposentadoria e estaria com cerca de R$ 600,00. No dia dos fatos a vítima  estaria embriagada e isto pode ter facilitado o crime. De lá para cá o suspeito não foi sequer ouvido pela polícia. Houve pedido de busca e apreensão, que deferido pela Justiça, foi entregue a Autoridade Policial, que entretanto não realizou a busca, como devia. Posteriormente a Autoridade Policial pediu mais prazo para cumprir o mandado de busca.

Veja a opinião do Promotor de Justiça da Comarca de Ibaiti – Dr. Ivan Barbosa Mendes:

COMARCA DE IBAITI – VARA CRIMINAL

AUTOS N. 682-36.2015.8.16.0089 – INDICIADO: À APURAR

MANIFESTAÇÃO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO

MM. JUIZ:

Às fls. 87, a Autoridade Policial requereu prazo para cumprimento de mandado de busca e apreensão, eis que em razão de acúmulo excepcional de serviço não foi possível dar cumprimento ao outrora deferido às fls. 50/51.

Pois bem. Sabe-se que a investigação quando realizada de forma rápida é eficiente. Todavia, a investigação que se delonga no tempo é pouco eficaz e por vezes não consegue alcançar o objetivo proposto.

Não raras vezes, a Autoridade Policial desta Comarca cobra do Ministério Público e do Judiciário pedidos urgentes no afã de realizar uma investigação eficaz. Um exemplo disso é o caso dos autos. O pedido da Autoridade Policial foi realizado no dia 10 de fevereiro de 2015. O Ministério Público do Estado do Paraná analisou e devolveu o autos no dia 11 de fevereiro de 2015. O Poder Judiciário concedeu o mandado de busca e apreensão no dia 12 de fevereiro. Ultrapassado um mês, a autoridade Policial faz requerimento pedindo novo prazo para seu cumprimento, afirmando que não conseguiu cumprir por excesso de serviço. Excesso de serviço???

Caso tivéssemos um número maior de inquéritos policiais relatados, alguns casos de grande repercussão, problemas no quadro de funcionários da Delegacia de Polícia, poderíamos até entender o excesso de serviço, mas não é o caso.

Assim, considerando que a eficácia de um mandado de busca e apreensão está intimamente ligada ao seu cumprimento dentro do menor prazo possível, o Ministério Público do Estado do Paraná, pugna pelo indeferimento do pedido de fl. 87.

Ibaiti, IVAN BARBOSA MENDES – Promotor de Justiça. – (Juntado ao processo em 20.03.2015)

 

- Relembre o caso ALICE:

Caso: Alice Oliveira de Mello
- Jovem de 18 anos – barbaramente assassinada em Ibaiti, na noite de 25.02.2015, uma quarta-feira. -(Há suspeita de violência sexual). Alice foi assassinada três dias após seu aniversário de 18 anos.
21 dias de passaram e até agora a Polícia não informa o resultado dos exames de DNA, para saber se confere com a amostra de algum dos suspeitos (seriam no mínimo 03); não informa se o indiciado José Aguinaldo – 35 anos- (pedreiro que está preso há 13 dias – “foi preso, fugir, foi recapturado”), agiu sozinho ou se há mesmo participação de co-autores. José Aguinaldo – foi preso temporariamente e por falha de segurança, fugiu da cadeia de Conselheiro Mairinck, sendo recapturado pela Polícia Militar. Ele está preso há 13 dias. Há dúvidas até mesmo se foi ou não Aguinaldo o Autor ou um dos autores do bárbaro assassinado. A prisão temporária de Aguinaldo vence em 05.04.2015 e, se até lá a Polícia não reunir elementos de prova suficientes para incriminar o suspeito José Aguinaldo, ele terá de ser libertado. A Comunidade reclama a solução do caso, para que a Justiça possa ser realizada. Após a grande repercussão do caso a Polícia parece estar “correndo atrás”. Acontece que especialistas em investigação criminal – ensinam que as primeiras 48 horas – são fundamentais – para a apuração de um crime. Nesse período quem investiga tem de dedicar 100% do tempo para a tarefa. Com o passar dos dias as provas materiais ou testemunhas; os vestígios, vão se enfraquecendo, o que pode contribuir para a impunidade. No final da investigação, o inquérito pode restar defeituoso, dificultando o trabalho do Ministério Público, que pode não conseguir provar a culpa de quem seja apontado como autor do crime.

 

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