Eleitor do Paraná reprova vereadores e dá nota 5,5 para deputados estaduais. Levantamento da Paraná Pesquisas mostra ainda que a maioria do eleitorado não sabe?quem preside a Câmara Municipal e a Assembleia

Da GAZETA DO POVO:

Sandro Nascimento/Alep / O?plenário da Assembleia Legislativa: maioria do eleitorado não sabe quem é o presidente da Casa

 

O paranaense melhorou pouco sua visão sobre o trabalho dos deputados estaduais?em relação ao ano passado e a nota atribuída aos parlamentares ainda se mantém?baixa, segundo?levantamento do?instituto?Paraná Pesquisas encomendado pela Gazeta do Povo. A pesquisa mostra que a média geral que os eleitores do estado dão aos deputados subiu de 5,05, em dezembro de 2013, para 5,55 em dezembro deste ano.

O estudo também mediu o nível de conhecimento dos eleitores sobre os membros do Legislativo tanto da Assembleia quanto das Câmaras de Vereadores de suas cidades. Questionados sobre o nome do?presidente da Assembleia Legislativa, 86% dos eleitores disseram não saber quem era, enquanto quase 13% responderam corretamente. No ano passado?quase 91% dos entrevistados?responderam negativamente?à pergunta.

Ano eleitoral

Para especialistas, o ano eleitoral de 2014 responde pela pequena?melhoria de porcentuais. “Alguns estudos mostram que a memória eleitoral, a identificação com algum partido e a percepção mais otimista da política aumentam em ano de eleição”, diz?o cientista político Luiz Domingos Costa, do grupo Uninter. “Neste ano os deputados estiveram mais próximos dos eleitores do que estarão nos próximos três anos”, observa o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo.

O conhecimento sobre a atividade legislativa das Câmaras de Vereadores também melhorou. No ano passado, a média de eleitores que não conheciam o presidente do Legislativo de suas cidades era de 77%. Em 2014, esse número caiu?cerca de dez pontos?porcentuais. As piores médias ficaram na Região Metropolitana de Curitiba, onde 85% dos eleitores disseram não saber o nome dos presidentes de Câmaras. Já nas demais regiões do estado esse porcentual foi de 61% dos pesquisados.

Avaliação negativa

A pesquisa mostra ainda uma queda na avaliação das atividades dos vereadores de Curitiba e Londrina. Na capital, apesar de a maioria dos entrevistados (60%) não lembrar em quem votou para vereador em 2012, 57% desaprovam o trabalho dos parlamentares. Em 2013, o índice de pessoas que não lembrava em quem votou era de 49%, e 52% desaprovavam o trabalho dos vereadores de Curitiba.

Em Londrina, o porcentual de eleitores que não lembra em quem votou em 2012 passou de 58% no ano passado para 65% em 2014, enquanto que o índice de desaprovação passou de 53% para 56% no período.

Costa diz que o alto índice de pessoas que não lembram em quem votaram para vereador é natural do sistema político brasileiro, que mantém o foco nas eleições majoritárias. “Os eleitores são muito mais voltados aos cargos do Executivo e nosso sistema de eleição para cargos proporcionais é muito confuso, com candidatos demais. Há muita possibilidade de troca do candidato ou de uma escolha de última hora. Se você escolhe dessa forma, é muito provável que você não se lembre depois”, diz.

Fiscalização

A fiscalização do Poder Executivo é?uma das atribuições do Poder Legislativo (Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado). No entanto, segundo o levantamento da Paraná Pesquisas, somente 24% do eleitorado de Curitiba considera uma das funções dos vereadores. Para a maioria, os parlamentares deveriam levar obras para os bairros.

Esquecimento

É comum que uma parcela significativa do eleitorado brasileiro não lembre em quem votou para cargos legislativos (vereadores, deputados e senadores). Segundo o cientista político Luiz Domingos Costa, isso acontece porque as campanhas priorizam os ocupantes de cargos no Executivo. Em Curitiba, segundo o Paraná Pesquisas, 60% do eleitorado não lembra?em quem voltou para vereador em 2012

Maioria vê o Legislativo como uma?“extensão” do Executivo

O estudo do Paraná Pesquisas sobre o trabalho do Poder Legislativo também avaliou a percepção dos eleitores sobre a atividade dos vereadores de Curitiba e Londrina. O levantamento mostra que a maior parte dos entrevistados da capital (51%) acredita que a principal atividade dos parlamentares da cidade deveria ser levar obras da prefeitura para os bairros. Outros 24% disseram que o mais importante é fiscalizar o trabalho do Executivo.

Conforme o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, o resultado da pesquisa na capital indica que os eleitores ainda veem o Legislativo da cidade como uma extensão da prefeitura. “Infelizmente o vereador ainda aparece com caráter governista, se ele não levar obra, não se reelege. E aquele vereador que cumpre sua função de legislar e fiscalizar muitas vezes não é bem avaliado”, acredita.

Já em Londrina, o pedido da maioria dos eleitores (34%) é que os vereadores se ocupem de fiscalizar a prefeitura – índice pouco abaixo dos que acreditam que a função dos parlamentares é levar obras para os bairros (33%). O professor de ciência política do grupo Uninter Luiz Domingos Costa avalia os números de forma positiva. “Se somarmos os índices dos que apontam as funções de legislar e fiscalizar, que são as atividades ideais dos parlamentares, o porcentual supera a visão deturpada de que a função é levar obras”.

Análise

Democracia recente explica avaliação negativa, diz professor

Para o professor de Ciência Política do grupo Uninter Luiz Domingos Costa, o resultado do levantamento da Paraná Pesquisas sobre a atividade do Legislativo é reflexo da situação política brasileira e de outros países com democracias contemporâneas. “Uma das principais deficiências dessas democracias é a avaliação negativa do Legislativo”, aponta.

Segundo Costa, os indicadores tendem a melhorar com o passar dos anos, no processo?que ele chama de “rotina?democrática”. “Na medida em que consolidarmos a democracia, repetindo eleições e com a difusão das imagens dos partidos, esses indicadores tendem a ficar mais próximos daquilo que a gente espera idealmente”, diz.

Para o professor do grupo Uninter, a proposta de mudança do sistema eleitoral para eleições casadas, em que a escolha de prefeitos e vereadores se daria em conjunto com o pleito para a Presidência e demais cargos, seria prejudicial a essa melhoria de indicadores. “A rotina eleitoral desperta no eleitor uma maior capacidade de avaliar as instituições”, observa.

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  1. 2 Comentários neste post.


  2. Por Izaias Nogueira da Cruz em 30-12-2014

    A maioria dos péssimos ELEITOR, quem escolheu são … Os Analfabetos Políticos

    “O pior analfabeto é o analfabeto político.
    Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
    Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
    do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
    dependem das decisões políticas.
    O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
    a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
    o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
    pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.”
    Nada é impossível de Mudar
    “Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
    E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
    Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
    hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
    sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
    de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
    nada deve parecer impossível de mudar.”
    Privatizado
    “Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
    É da empresa privada o seu passo em frente,
    seu pão e seu salário. E agora não contente querem
    privatizar o conhecimento, a sabedoria,
    o pensamento, que só à humanidade pertence.”

    BELTROLT BRECHT

  3. Por Tony Gonçalves em 30-12-2014

    Pior que o analfabeto político é quem se deixa iludir por um sistema político que corrompe até o mais bem intencionado dos cidadãos.
    Pior que não ouvir, não falar, nem participar dos acontecimentos políticos é se deixar levar pelo engodo dos que querem iludir com promessas que nunca serão cumpridas ou servir como massa de manobra para defender interesses duvidosos ou causas inúteis.
    Enquanto o analfabeto político não faz nada para tentar mudar a situação, os iludidos pela pseudodemocracia acham que só precisam “votar certo” para que tudo se resolva.
    Enquanto o analfabeto político diz que odeia a política, os iludidos pela pseudodemocracia fazem campanhas apaixonadas para o “candidato maravilhoso” que vai mudar tudo e acabar com todos os problemas.
    Depois das eleições, ganhe quem ganhar, o analfabeto político vai continuar não fazendo nada e os iludidos pela pseudodemocracia vão continuar defendendo seus candidatos eleitos e criticando os adversários, também eleitos, pois para eles só existe um certo (seu candidato) e um errado (seu adversário). E os problemas sociais vão continuar praticamente como sempre foram, porque nem o analfabeto político nem os iludidos pela pseudodemocracia conseguem perceber que enquanto não houver uma mudança do sistema político que proporcione poder ao povo durante o mandato e que mantenha os eleitos subordinados constantemente a quem os elegeu, não haverá democracia, só ilusão. Ilusão esta que só beneficia o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra e corrupto.
    Então não basta deixar de ser um analfabeto político e se tornar um iludido pela pseudodemocracia, é necessário que se busque a verdadeira democracia através de uma mudança no sistema político. E isso só será possível quando as pessoas se dispuserem a buscar, discutir e colocar em prática idéias que possam tornar a política um campo de realizações e não de ilusões.

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