Moradores pedem fechamento de cadeia. Delegacia de Santo Antônio da Platina foi palco de duas rebeliões em 40 dias; comunidade reclama da falta se segurança

(da Folha de Londrina)

 

Gustavo Carneiro
Prejuízos do último motim, no início do mês, ainda não foram calculados; maioria dos detentos foi transferida para Londrina

Santo Antônio da Platina – Após a segunda rebelião em 40 dias, que ocorreu na noite de 1 de maio, a carceragem de Santo Antônio da Platina ficou toda destruída. Dos 52 presos abrigados no dia do motim, quando um agente permaneceu refém durante 7 horas, apenas 12 detentos permanecem no prédio – nove mulheres e três homens. Os prejuízos, considerados de grande porte pelo delegado Tristão Borborema de Carvalho, ainda não foram calculados. Também não há prazo para o início da reforma.

Entre tantas obras não concluídas, esta é uma que os moradores, principalmente os vizinhos à delegacia, não têm pressa nenhuma em ver terminar. A dona de casa Maria Luiza Teixeira dos Santos diz que mudou-se para a Vila Claro há menos de um mês, mas já cogita nova mudança se a situação continuar tensa. “A sensação de insegurança é constante. Aqui não é lugar para cadeia. Em vez de reformar, por que não constroem em outro lugar?”, questiona.

Laudicéia de Moraes, empregada doméstica de uma casa vizinha à delegacia, contou que estava sozinha na noite da rebelião. “Meu patrão me ligou, pediu para eu trancar a casa e sair correndo daqui. Toda vez que acontece uma rebelião é um trauma”, lamentou.

Com dificuldades para executar o plano de esvaziar as carceragens de delegacias do Paraná, a Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania (Seju) informou, por meio da assessoria, que não descarta a volta de presos após a reforma na unidade. A secretaria, porém, não citou prazos.

A carceragem tem capacidade para 32 presos. Na primeira rebelião deste ano, no dia 23 de março, a cadeia abrigava quase 100 internos. Desta vez, de acordo com Carvalho, não havia a mesma superlotação. “O que ocorreu, na verdade, foram cenas de selvageria e ataque a policiais após uma tentativa frustrada de fuga. Não havia reivindicações consistentes”, contou.

Segundo o delegado, após a libertação do policial refém e da desgastante negociação com a Seju, 23 presos foram transferidos para a Casa de Custódia e Penitenciária Estadual de Londrina. Cinco detentos que estavam prestes a cumprir a pena foram colocados em liberdade pela juíza Maristella Andrade de Carvalho. Nenhum preso ficou ferido. O agente sofreu ferimentos leves e já está trabalhando.

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