EXPRESSÕES POPULARES…

“A verdade popular … Nem sempre ao sábio condiz,… Mas há verdade serena… Nas coisas que o povo diz”. (Poeta Adelmar Tavares (1888-1936).

“…  a vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros. Vinha da boca do povo na língua errada do povo. Língua certa do povo. Porque ele é que fala o gostoso português do Brasil… (Manuel Bandeira, Evocação do Recife).

A pesquisa, o registro e a reunião de vocábulos e expressões populares, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, foi sempre uma preocupação para pesquisadores e folcloristas como Alfredo de Carvalho, Pereira da Costa, Luís da Câmara Cascudo e Mário Souto Maior, entre outros.

O povo é que faz a língua, adicionando termos e expressões. É importante salientar que a maioria das expressões populares existentes no português falado no Brasil, tem origem no Norte e Nordeste, onde a língua falada e escrita foi muito enriquecida por causa do processo de colonização.

Por ser um país de proporções geográficas enormes, o Brasil possui muitas expressões lingüísticas regionais: o linguajar gaúcho, com influências das suas fronteiras; a influência portuguesa, no linguajar nortista; o modo do nordestino se expressar; a gíria carioca; expressões típicas de Minas Gerais e São Paulo. Hoje, com a tecnologia eletrônica e as facilidades na comunicação entre as pessoas, as expressões populares “viajam” pelo território nacional, tornando-se mais conhecidas. Até as novelas de televisão as utilizam.

Algumas expressões populares típicas do Nordeste:

a torto e a direito- indiscriminadamente;

abestado – bobo, abestalhado;

aboletar-se – instalar-se;

acocho –aperto, arrocho;

amofinado – aborrecido, infeliz;

aperreado – nervoso, preocupado;

arretado – irritado ou então algo muito bom;

assim ou assado – de uma maneira ou de outra;

assobiar e chupar cana- fazer duas coisas ao mesmo
tempo;

atanazar – aborrecer, importunar;

atirar pedra em casa de marimbondo- mexer
com quem está quieto e se arriscar;

bagunçar o coreto – anarquizar, cometer desordem;

balela – boato, conversa fiada;

bater o facho – morrer;

berloque – pingente, enfeite;

birinaite – bebida alcoólica;

bisaco – saco, sacola;

botar as barbas de molho – tomar as devidas precauções;

brocoió – medíocre, caipira;

bugigangas – coisas sem valor;

cabreiro – desconfiado;

cachete – comprimidos, pílulas;

cafua – depósito, lugar pequeno;

cafundó – lugar muito longe;

cascavilhar – procurar, investigar;

chamaril – coisa para chamar a atenção;

chinfrim – coisa ordinária;

cutucar o cão com vara curta – mexer com quem está
quieto e se arriscar;

deforete – tomar uma brisa, ao ar livre;

degringolar – desordenar, desorganizar, algo que dar
errado;

derna – desde

destambocar – tirar pedaço;

destrambelhada – desajustada metal;

empeiticar – importunar;

empiriquitado – enfeitado;

encangado – junto, pregado;

espoletado – danado da vida, com raiva;

estrambólico – extravagante, esquisito;

faniquito – desmaio, chilique;

fiofó – traseiro;

fuleiro – sem muito valor, ordinário;

fulustreco – fulano;

fuzuê – barulho, confusão;

gaitada – risada estridente, gargalhada;

gasturaincômodo, mal-estar;

goga – contar vantagem, vaidade;

guenzo – magro, esquelético;

inhaca – mau cheiro, catinga, fedor;

inté – até logo;

jururu – triste, pensativa;

labrugento ou lambugento
serviço malfeito;

lambança – desordem, barulho;

levar gato por lebre – ser enganado, logrado;

levar desaforo pra casa – acovardar-se, não reagir;

macambúzio – tristonho, pensativo;

malamanhado – desarrumado;

manzanza – preguiça, demora;

mundiça – gente sem educação;

nadica – nada;

nopró – indivíduo difícil;

nos trinques – nos conformes;

oião – curioso, enxerido;

onde o diabo perdeu as botas – lugar ermo, distante;

pantim – exageros, espantos;

peba – coisa ordinária;

peitica – insistência incômoda;

pendenga – assunto por acabar;

penduricalho – enfeite;

pé-rapado – pobretão;

pinicar – beliscar;

pinóia – expressão de aborrecimento;

piripaque – passar mal;

potoca – mentira;

rabiçaca – sacudidela, movimento;

salceiro – barulho, confusão;

samboque – pedaço;

sorumbático – tristonho, pensativo;

sustança – força, vigor;

trepeça – algo que não serve pra nada;

virar defundo – morrer;

virar o copo – ingerir bebida alcoólica;

FONTES CONSULTADAS: LIMA, Claudia. Expressões populares usadas na atualidade. In: ______. História do folclore. Recife: Prefeitura da Cidade. Secretaria de Turismo, 1997; ROSSATO, José Carlos. Nosso folclore. São Paulo: Soma, 1987; - SOUTO MAIOR, Mário. A língua na boca do povo. Recife: Fundaj. Ed. Massangana, 1992.

 

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