O risco dos acidentes domésticos

As crianças não estão tão seguras dentro de casa como imaginam os pais. Todo cuidado é pouco para evitar tragédias como a que matou uma menina em Curitiba

A morte de uma menina de 5 anos na última terça-feira, em Curitiba, levantou a questão sobre os riscos que as crianças correm dentro de casa e a necessidade de se tomar medidas de prevenção. A menina caiu do 13.º andar de um prédio no centro da capital ao tentar abrir a janela. De acordo com dados da organização não-governamental (ONG) Criança Segura, as quedas são responsáveis por 53,6% das hospitalizações de crianças e adolescentes de zero a 14 anos no Brasil, com 58,6 mil casos por ano. Os números são do relatório mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde, com base no ano de 2008.

Para a coordenadora nacional do Criança Segura, Alessandra Françoia, as estatísticas são preocupantes, mas algumas atitudes simples podem ajudar a diminuir esse número. “É necessário entender que, logo que uma criança chega em nossas vidas, temos que pensar em algumas adaptações na nossa casa e também em nossas rotinas”, afirma.

Ela aponta alguns procedimentos, como a instalação de redes de proteção em janelas e sacadas, tanto de prédios quanto de casas que tenham mais de um pavimento. Também é indicado o uso de grades que impeçam o acesso a lugares de risco, como escadas, por exemplo.

Quedas menores, mas que também trazem riscos são lembradas pelo ortopedista Antônio Krieger. Segundo ele, crianças de até 4 anos estão frequentemente sujeitas a cair de berços, camas, bancos e cadeiras. “Nestes casos são comuns lesões de membros, principalmente braços, cotovelos e mãos, isso porque a criança já possui o reflexo de se proteger”, diz

O médico ressalta que estes casos não podem ser vistos como “simples ou superficiais”, já que, por vezes, podem levar a cirurgias ou outros tratamentos delicados. “Também pode acontecer de, dependendo da lesão, a criança ficar com deformações ou encurtamentos permanentes”, explica.

Outras lesões

Além das quedas, outros tipos de acidentes domésticos são frequentes entre crianças, de acordo com a coordenadora do Criança Segura e o ortopedista. Eles vão desde queimaduras e afogamentos até choques e contusões. “Isso varia de acordo com a fase que a criança se encontra. Quando ela está começando a engatinhar, costuma pegar as coisas próximas a ela, colocar na boca, conhecer o que está ao seu redor. Um pouco depois já começa a escalar, abrir portas. E cada uma dessas épocas tem seus riscos”, explica Alessandra.

Alguns equipamentos de proteção a móveis e aparelhos domésticos podem ajudar na prevenção dos acidentes. São acessórios como travas de portas e protetores de tomada, que podem ser encontrados em lojas de produtos infantis e também nas de materiais de construção.

Os especialistas lembram, porém, que estes equipamentos apenas auxiliam na proteção, sendo que o fator mais decisivo sempre será “o olhar atento dos pais”, como define Krieger. Para Ales­­sandra, a questão vai ainda além: “as adaptações para a casa são diversas e necessárias, mas o essencial é a observação constante e em tempo total dos responsáveis. Nada substitui isso”, reitera.

(Publicado em 30/07/2011 | LUIZ FELIPE MARQUES, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVO)

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